segunda-feira, 31 de dezembro de 2018
domingo, 30 de dezembro de 2018
segunda-feira, 24 de dezembro de 2018
Papa na Missa do Galo: Jesus, alimento de amor e simplicidade
domingo, 23 de dezembro de 2018
Os Três Reis Magos
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Os três reis magos. Foto:
Maciej Sojka / Shutterstock.com
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A tradição dos Três
Reis Magos remonta ao nascimento
de Jesus. As referências a este episódio nos Evangelhos é muito vaga,
não se sabe quantos seriam estes personagens que visitaram a Criança assim que
Ela nasceu, evento que consta no Evangelho de Mateus. Não se sabe com certeza
nem mesmo se eram reis, há pesquisadores que acreditam ser eles sacerdotes
seguidores de Zaratustra, da
Pérsia, ou seus conselheiros. Supõe-se que eram três pelo número de presentes
oferecidos ao Mestre. Seus nomes seriam Melchior, rei da Pérsia; Gaspar, rei da Índia,
e Baltazar,
rei da Arábia, os Santos Reis, porque são considerados bem-aventurados. Eles
ganharam estas denominações cerca de oitocentos anos após o nascimento do
Messias.
Os reis
fizeram uma longa viagem até a manjedoura, lá chegando apenas no dia seis de
janeiro, daí o Dia de Reis ser comemorado nesta data. Narra a tradição que eles
seguiram a estrela que lhes indicava a localização exata de Jesus, e também que
eles teriam oferecido ao Menino ouro, incenso e mirra, o primeiro simbolizando
a realeza de Jesus; o segundo, a sua Natureza Divina, a fé, já que o incenso
era muito usado nos templos para representar as preces que seguem do Homem para
Deus; e o terceiro, a imortalidade e a alusão à sua futura morte no martírio,
pois a mirra era muito utilizada para a preparação dos cadáveres, com o
propósito de conservá-los infinitamente. Ela foi usada também no corpo de Jesus
após a Crucificação. Destes magos e de seus gestos herdamos a tradição de dar
presentes uns aos outros no Natal.
Eles também representavam a humildade dos poderosos que se curvariam diante da Realeza Maior de Jesus, cumprindo as profecias que prediziam a humilhação dos grandes dominadores terrenos e a glorificação dos humildes. É nesse sentido que a Igreja preserva o culto aos Reis Magos, que receberam esse título apenas no século III, cumprindo assim a profecia de que os reis se prostrariam diante Dele. Para o catolicismo, eles representam a obediência aos desígnios divinos, o desprendimento dos patrimônios materiais, o compartilhamento destes bens com os necessitados.
Não há provas históricas da existência desses Reis e no próprio Evangelho são citados apenas por Mateus. Talvez eles sejam apenas um símbolo, uma metáfora da legitimação de Jesus por todos os povos da Terra. O que importa, porém, é que a tradição permanece viva, inclusive através da popular Folia de Reis – festa de origem portuguesa que relembra anualmente a visita dos Reis Magos a Jesus. Em alguns países essa comemoração tornou-se mais importante que o próprio Natal. No Brasil, grupos de pessoas vestidas a caráter visitam algumas casas tocando músicas que glorificam o nascimento do Menino Jesus e a visitação dos Santos Reis. As festas, que se iniciam próximo ao Natal, são encerradas no dia seis de janeiro, quando se comemora o Dia de Reis.
sábado, 15 de dezembro de 2018
QUE FIM LEVARAM AS DEZ TRIBOS PERDIDAS ?
quarta-feira, 12 de dezembro de 2018
Patrimônio Vivo de Alagoas, Mestre Maria Flor morre aos 88 anos
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| Mestra era referência no Guerreiro alagoano, consagrada como a rainha do guerreiro no Estado |
Texto de Paula Nunes
A mestra do Guerreiro Maria Flor
dos Santos, popularmente conhecida como Dona Flor – “Senhora dos Anéis” - ,
faleceu na madrugada de segunda-feira (10.12.2018), aos 88 anos. A causa da
morte não foi divulgada pela família. Mestra Maria Flor era considerado Patrimônio
Vivo de Alagoas pelo Governo do Estado, por meio da Secretaria de Estado da
Cultura (Secult), desde 2009.
Sempre lembrada por estar sempre
cheia de enfeites brilhantes e coloridos. Muitas pulseiras, colares e brincos,
roupas de cores vibrantes e vistosas, unhas e lábios sempre pintados de
vermelho, detalhes que sempre remeteram a Maria Flor, uma autêntica rainha,
dentro e fora do guerreiro.
Começou a dançar aos dez anos na
casa de seus pais e muito nova foi Estrela de Ouro e Rainha. Costumava dizer
que a coisa melhor do mundo é o guerreiro. Dona Flor participou do projeto
“Mestre na Escola”, da Secretaria de Estado da Educação, criando, junto com o
mestre Juvenal Leonardo, o belíssimo “Guerreiro das Artes”, no Núcleo de
Extensão Artístico, do CEPA.
Em 2009, foi considerada
Patrimônio Vivo, pela lei de Registro do Patrimônio Vivo de Alagoas, assumindo
o compromisso de repassar o saber e o fazer da nossa cultura popular as novas
gerações, sempre com o objetivo de preservar e divulgar o folclore alagoano.
Mellina Freitas, titular da
Secult, lamenta a morte de Maria Flor. “A cultura alagoana perde uma das
flores. Maria Flor dos Santos, a Dona flor, deixa uma lacuna entre os mestres
da cultura popular. A rainha de Guerreiro será para sempre lembrada por sua
alegria, vibração e amor às nossas tradições. Meu profundo pesar a todos os
amigos e familiares”, disse.
Fonte: www.agenciaalagoas.al.gov.br
terça-feira, 4 de dezembro de 2018
Brasil ocupa 4° lugar em ranking de tributos na conta de luz
sexta-feira, 30 de novembro de 2018
Professora Nádia Fernanda lança livro sobre padre Dâmaso
Professora Nádia Fernanda. Foto: Karina Dantas/Adufal
O evento, que ocorreu no auditório da Sede da Adufal, no bairro do Farol, contou com a presença de diversos amigos da autora, bem como do presidente da Adufal, professor Jailton de Souza Lira, que saíram do recinto com um exemplar do livro, presenteados pela professora Nádia. “Aquilo que a gente muito ama não se vende, se doa”, explicou.
Nádia tem 73 anos e é
professora aposentada pela Universidade Federal de Alagoas (Ufal), antropóloga
com mestrado e doutorado pela Universidade de São Paulo (USP) e já lançou
vários livros durante sua carreira profissional, mas este ela considera ser um
dos mais especiais.
“Eu fiz esse livro com o resto
das minhas forças, coloquei informações importantes colhidas ao longo da minha
vida. Não é um livro acadêmico, é um livro panorâmico para todos os públicos”,
disse a autora.
segunda-feira, 26 de novembro de 2018
Gregory Peck é o herói que vem do Leste
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| Gregory Peck, ator principal do filme "Da Terra Nascem os Homens" |
A história comporta momentos interessantes. O melhor deles é, sem dúvida,
quando Peck sai por um território que não conhece, munido de sua bússola. Todos
pensam que está perdido. Esquecem-se que o espaço do marinheiro é diferente do
de um caubói.
A partir daí já estarão lançados os princípios da trama que virá. Trata-se de um faroeste para quem não gosta de faroestes. A noção que se faz do Oeste é basicamente ilustrativa: mostra um espaço ao qual o filme não está integrado e nem quer se integrar.
"Da Terra Nascem os Homens" maneja os princípios do "western" psicológico e ao mesmo tempo endereça-se essencialmente às mulheres.
A partir daí já estarão lançados os princípios da trama que virá. Trata-se de um faroeste para quem não gosta de faroestes. A noção que se faz do Oeste é basicamente ilustrativa: mostra um espaço ao qual o filme não está integrado e nem quer se integrar.
"Da Terra Nascem os Homens" maneja os princípios do "western" psicológico e ao mesmo tempo endereça-se essencialmente às mulheres.
Sua questão central não é o comportamento masculino (embora passe por
aí), mas como as mulheres devem se comportar em face de seus amados: devem vê-los
como heróis, mesmo quando não parecem ser.Embora o aparato psicológico possa impressionar à primeira vista, deter-se
sobre ele é o mesmo que se decepcionar. O homem padrão da história, Gregory
Peck, é de uma perfeição heróica que chega à monotonia.
O filme é, nesse sentido, a negação do faroeste, um gênero constituído sobre a imperfeição dos homens, sobretudo a dos heróis. Requenta o mito do heroísmo (leitura limitada do gênero) e o aplica a um cenário que está ali para ser apenas isso mesmo: um cenário, não um espaço de luta.
Filme: Da Terra Nascem os Homens (The Big Country)
Produção: EUA, 1958, 165 min.
Direção: William Wyler
Elenco: Gregory Peck, Charlton Heston, Jean Simmons, Carroll Baker, Burl Ives
Inácio Araújo - Redação
Folha: www1.folha.uol.com.br
quinta-feira, 22 de novembro de 2018
Ganga Zumba, Rei do Quilombo dos Palmares
Ganga Zumba (1638-1678)
foi o primeiro rei do Quilombo dos Palmares, um dos muitos quilombos da era
colonial no Brasil que servia como abrigo aos escravos fugitivos.
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| Ilustração representando Ganga Zumba |
Cada mocambo era liderado por um
parente ou chefe de confiança. Apesar de Ganga Zumba ter sido proclamado rei do
lugar, as decisões importantes era tomadas por um colegiado, na presença de
todos os líderes.Isto era a reprodução da organização social que os negros
conheciam na sua terra natal, Angola.
Devido às fugas de escravos, sejam elas
planejadas ou espontâneas, a população do quilombo cresce. Desta maneira, as
investidas contra o quilombo aumentaram
tanto no período de dominação holandesa quanto com os portugueses.
Sendo assim, era necessário acabar com o Quilombo dos Palmares para recuperar a
mão de obra escrava e para que o exemplo não se espalhasse pela colônia.
Deste modo, Ganga Zumba enfrenta vários ataques derrotando os portugueses
com o sistema de guerrilhas atacando-os pela retaguarda.
Também sofreu reveses que destruíram parte da produção agrícola dos
mocambos. Numa dessas batalhas, alguns dos seus filhos e sobrinhos foram presos.
Em 1678, o governador Pedro de Almeida
liberta alguns parentes que levam a Ganga Zumba uma proposta de paz. Os
quilombolas se mudariam para o Vale do Cacaú e não deveriam aceitar mais
escravos fugidos das fazendas.
A proposta divide os líderes dos mocambos no Quilombo dos Palmares. Vários
líderes, como Zumbi,
não aceitam o tratado e desejam continuar a lutar. Outros, cansados das
batalhas, apoiam a Ganga Zumba.
Sem conseguir chegar à unanimidade, parte dos moradores decide abandonar o
quilombo, enquanto outro grupo permanece ali. A liderança da comunidade, agora,
é assumida por Zumbi.
Ao chegar no Vale do Cacaú, Ganga Zumba percebe que foi enganado. As
terras não eram boas para o cultivo e os moradores não teriam direito a
circular livremente, além de estarem vigiados.
A morte de Ganga Zumba é incerta. Alguns estudiosos afirmam que teria sido
morto por um aliado de Zumbi, outros apontam que foram seus próprios liderados
que o teriam assassinado. Igualmente, há quem sustente que ele suicidou-se ao
se dar conta que tinha sido ludibriado pelo governador.
Curiosidades
·
A vida de Ganga Zumba foi
transformada em filme por Cacá Diegues, em 1964. O roteiro se baseou no livro
do historiador João Felício dos Santos que havia sido premiado pela Academia
Brasileira de Letras.
·
O Quilombo dos Palmares
era chamado de Angola Janga, "Angola Pequena" em bantu.
·
Por Juliana Bezerra,
Professora de História
Fonte:
www.todamateria.com.br
terça-feira, 20 de novembro de 2018
A MISTERIOSA INFÂNCIA DE ZUMBI DOS PALMARES
Tese de que o líder negro foi criado por um padre
português chamado Antônio Melo divide opiniões
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A infância de Zumbi dos Palmares é repleta de
controvérsias. Foto:Pixabay
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Em um final de tarde de 3 de dezembro de 1655, o padre português Antônio
Melo trancou sua igreja na cidade de Porto Calvo, à época na Capitania de
Pernambuco, hoje pertencente ao estado de Alagoas, e começa a atravessar a rua
de terra batida que o separava da praça principal da pequena cidade. Mas, antes
de chegar ao outro lado, parou, surpreendido pelo ruído de cavalos.
Homens mal-encarados e armados de flechas, espadas e pistolas apearam de
seus cavalos. Junto com eles, uns poucos negros acorrentados, com feridas
abertas por todo o corpo. Cabisbaixos, olhavam para o chão com olhos vazios. Já
seus algozes tinham a arrogância típica dos capitães do mato, os violentos
caçadores de escravos fugitivos.
O padre Melo ficou ainda mais nervoso quando viu o capitão Brás da Rocha
Cardoso, herói da guerra contra os holandeses, encerrada um ano antes, que
caminhava em sua direção segurando um embrulho de panos impregnado de todos os
marrons da estrada. Sem beijar a mão ou pedir bênçãos, o capitão disse, seco:
“Essa cria é sua, padre. Pegamos nos Palmares dos pretos e não temos serventia
para ele. Faz dele o que o senhor achar melhor”.
O “Palmares dos Pretos”, sobre o qual Cardoso se referiu, era o Quilombo
dos Palmares, local que foi abrigo para escravos fugidos dos engenhos de cana
nordestinos. O padre desembrulhou os panos empoeirados e se compadeceu na mesma
hora da criança, nascida havia poucos dias.
Mistério
Tão logo os capitães do mato e seus presos partiram, padre Antônio Melo
sentou-se ao pé da igreja, olhou a criança e decidiu: “Vai chamar-se Francisco,
é o santo do dia”.
O tempo passou e Francisco, já adolescente, lia, escrevia, falava latim e
português, interessava-se pelas estratégias do jogo do xadrez, ajudava nas
missas como coroinha e, nas palavras do próprio padre, demonstrava “engenho
jamais imaginável na raça negra e que bem poucas vezes conheci em brancos”. Era
um garoto brilhante, porém recluso. Vivia imerso nas letras e não tinha amigos,
além do padre.
Numa manhã de domingo de 1670, Antônio Melo resolveu ir até o quartinho do
garoto. Preocupara-se porque seu pupilo, sempre pontual e dedicado, não
apareceu para ajudar no serviço matinal. Surpreso, constatou que Francisco
havia partido com suas poucas posses.
A única coisa que deixou para trás foi um bilhete, escrito a carvão: “Padre,
agradeço por cada lição que o senhor me passou, mas meu sangue clama: tenho de
unir-me a meus malungos de Palmares. Francisco”. Pouco depois, Zumbi se
tornaria o líder absoluto do quilombo e seria o comandante na sua derradeira
batalha contra a Coroa Portuguesa.
“História
bonitinha”
“É bonitinha essa história, né?”, ironiza o sociólogo e historiador Jean
Marcel Carvalho França, coautor de Três Vezes Zumbi. Escrito em
parceria com o também historiador Ricardo Alexandre Ferreira, o livro
destrincha a construção da imagem de Zumbi ao longo de três séculos. A ironia
com que França trata a versão do coroinha guerrilheiro é dirigida ao
pesquisador gaúcho Décio Freitas, autor do livro Palmares, a Guerra dos Escravos, no qual ele conta a pretensa
infância de Francisco-Zumbi.
“Freitas transgride uma regra do meio historiográfico: se você apresenta
uma notícia muito nova, tem de trazer uma documentação coetânea, um indício que
comprove as suas acepções. Sobretudo, se elas são polêmicas, se elas escapam ao
que você tem de expectativa, de senso comum”, afirma França.
É aí que mora o problema: Décio Freitas morreu em 2004, sem nunca
apresentar alguma prova dessa versão. Em seu livro, ele afirma que teve acesso
a extensa correspondência entre o religioso de Porto Calvo e outro padre
português, a quem ele contava a criação do garoto quilombola. “Nesse caso
específico, Décio Freitas teria que ter trazido as tais cartas”, critica
França.
A versão do Zumbi coroinha teve adeptos, como o historiador Clóvis Moura,
falecido um ano antes que Freitas, que em seu Dicionário da Escravidão Negra no Brasil, publicado pela Edusp,
a editora da Universidade de São Paulo, publica a versão da infância do menino
Francisco na companhia do padre Antônio Melo, no verbete que dedica a Zumbi. Também
Jorge Landmann, que em 1998 escreveu o romance histórico Troia Negra – A Saga dos Palmares, defende que as cartas do Padre
Melo existem e estão guardadas na Torre do Tombo, em Lisboa, Portugal.
O historiador Carvalho França tem uma explicação para o fato de essa
versão de um Zumbi com educação formal e inteligência acima da média ter
conquistado adeptos, mesmo sem apresentar evidências documentais consistentes.
Segundo ele, na primeira metade dos anos 1970, época da publicação
de Palmares, a Guerra dos
Escravos, existia uma demanda
por um herói romântico negro. E o protagonista de Décio Freitas é exatamente
isso. “Primeiro, ele é naturalmente inteligente, esse é o traço romântico. É a
primeira característica do herói. A segunda característica é a ideia de que o
conhecimento ilumina. Ele vem, busca o conhecimento do branco e volta mais
esclarecido. Ele leva a chama da liberdade.” Em posse dessa luz intelectual e
moral, Zumbi comanda uma guerra dentro do quilombo contra o próprio tio, Ganga
Zumba, depois que este assina um acordo de paz com os portugueses.
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Representação do Quilombo dos Palmares Wikimedia Commons
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O restante da história de Zumbi é mais consensual entre os historiadores.
Ele permaneceria na liderança do quilombo e resistiria a várias investidas das
expedições lançadas contra a comunidade de negros libertos, na Serra da
Barriga.
Em 1694, o quilombo foi invadido por forças lideradas pelo bandeirante
paulista Domingos Jorge Velho. O quilombo foi desarticulado e seus moradores
presos e tornados escravos. Zumbi foi ferido e desapareceu. Quase dois anos depois,
acabou capturado e morto. Sua cabeça foi cortada e exposta em praça pública em
Recife. Um selvagem recado para os escravos que sonhassem em rebelar-se contra
seus senhores.
Em Angola, outro Francisco foi criado por um padre
O músico, ativista e professor Antônio José do Espírito Santo nunca gostou
da ideia de que o sucesso do maior ícone negro da historiografia brasileira
fosse atribuído a uma concessão do branco. Resolveu, então, fazer sua própria
pesquisa. Voltou sobre os passos de Zumbi, num caminho inverso, de Palmares à
África.
Espírito Santo não encontrou nenhuma confirmação para a tese de que Zumbi
algum dia foi criado por um padre português ou que se chamou Francisco.
Concluiu que a história do menino Francisco que volta para liderar os negros é
bastante improvável.
Mas não impossível. Na verdade, houve de fato um menino nobre criado por
um padre. Espírito Santo topou com essa história no que chama de “acaso fruto
da pesquisa”: “Encontrei um manuscrito de um padre capuchinho, (Marcellino) d’Atri
é o sobrenome dele. Essa figura descreve a história de um padre angolano que
teria pegado o filho do rei dom Antonio I (o nome cristianizado de
Vita-a-Nkanga), que perde a batalha e é decapitado”. O bebê Nkanga-a-Makaya é
então levado para
Luanda, junto com o corpo do pai, e cresce sob a tutela dos capuchinhos
que o batizam, curiosamente, de Francisco. Aos 20 anos, de volta ao Congo, ele
afirmou que não almejava o trono porque era “português demais”.
Por Gabriel
Rocha Gaspar
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